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Dourados

Com a Palavra o Professor: Dourados/MS: A Cidade Sem Engenharia de Trânsito, Onde Só o Cidadão é Punido

Publicado

em

Por: Prof. Esp. Leonardo Pescinelli Martins

17/06/2025

Dourados vive um caos urbano e quem paga a conta, como sempre, é o trabalhador. Enquanto a prefeitura e os órgãos responsáveis assistem passivamente ao desmoronamento da infraestrutura viária, o cidadão é massacrado por multas arbitrárias, sem critérios técnicos precisos e sem consideração pelo estado calamitoso das ruas. A cidade não tem engenharia de trânsito, não tem fiscalização coerente e, acima de tudo, não penaliza os responsáveis pelas falhas crônicas que tornam dirigir um ato de sobrevivência diária.

A Indústria da Multa e a Hipocrisia da Fiscalização

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Os sensores de semáforo foram vendidos como um mecanismo para coibir infrações e aumentar a segurança viária. Mas o que temos, na prática, é um sistema de multas massivo, aplicado sem critério correto. Motoristas estacionados após a faixa de retenção estão sendo multados como se tivessem avançado o sinal vermelho, quando o correto seria uma autuação por estacionamento irregular. A fiscalização ignora sua própria incompetência e penaliza somente o condutor, jamais a própria prefeitura por permitir que a cidade seja um campo minado de irregularidades.

Os cruzamentos sem sinalização adequada, os semáforos apagados ou piscando, a falta de placas e as vias estreitas obstruídas por veículos de grande porte são um problema que a prefeitura finge não ver. Mas que o trabalhador sentirá no bolso caso cometa qualquer deslize dentro desse sistema caótico. Dourados transformou multas em sua política pública mais eficiente, enquanto ignora a tragédia urbana que ela mesma perpetua.

O Perigo das Ruas e a Fiscalização Seletiva

Se a fiscalização fosse justa, a gestão municipal já teria sido autuada inúmeras vezes. Nas regiões de maior fluxo de pedestres, como na Hayel Bon Faker, há ausência de faixas de pedestres nos locais corretos, colocando em risco quem precisa atravessar diariamente. A recomendação do CONTRAN estabelece que a faixa de retenção deve estar a no máximo 1,5 metro da faixa de pedestres, mas na prática, há faixas a 8 metros de distância, o que obriga motoristas e pedestres a situações de risco desnecessárias.

Além disso, a própria configuração dos semáforos é um desastre. O tempo de amarelo é mal ajustado, não há distinção entre períodos de maior e menor fluxo, e multas continuam sendo aplicadas até mesmo depois da meia-noite, quando a lógica deveria priorizar a fluidez do trânsito ao invés da arrecadação desenfreada.

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Buracos, Sinalização Precária e o Descaso que Mata

Se houvesse justiça na fiscalização, 75% das vias de Dourados seriam interditadas por estarem completamente intransitáveis. O número de buracos, somado ao serviço precário da Sanesul, que destrói trechos inteiros sem qualquer recomposição de qualidade, compromete estruturalmente os veículos, causa acidentes e coloca vidas em perigo. Quem multa a prefeitura por isso? Quem responsabiliza os gestores pela destruição diária dos carros e motos dos trabalhadores?

A falta de passarelas, árvores não podadas bloqueando a visão dos motoristas, esquinas obstruídas por carros estacionados e o embarque e desembarque feito de forma desorganizada em faixas de pedestres são problemas crônicos, que deveriam ser tratados como prioridade. Mas aqui, a regra é simples: o cidadão paga e a prefeitura cobra, nunca o contrário.

Dourados não tem planejamento, não tem engenharia de trânsito e não tem vergonha em falhar. A única coisa que funciona perfeitamente é a cobrança de multas. Todo o resto está entregue ao abandono

 

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O Jornal Eita! acredita no Jornalismo comprometido com a verdade dos fatos e com a ética, trazendo sempre os principais fatos de Dourados e região, além dos destaques nacionais e da mídia. E-mail para Contato: eitajornal01@gmail.com Telefone para Contato: (67) 9 8152 - 9853

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