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O Conselho Nacional Eleitoral de Honduras (CNE) retomou, nesta segunda-feira (8), a contagem manual de votos da eleição presidencial do país após 3 dias com o processo suspenso em meio à interferência do presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, que tem apoiado abertamente o candidato que lidera a corrida presidencial por uma margem de apenas 19 mil votos.
“Após a realização das ações técnicas necessárias [acompanhadas de uma auditoria externa], os dados estão sendo atualizados na divulgação dos resultados”, informou a presidente do CNE, Ana Paula Hall.
Após o conselho ter suspendido a contagem dos votos, Trump sugeriu, sem apresentar provas, que o órgão eleitoral de Honduras estaria tentando alterar os resultados e ameaçou em uma rede social afirmando que “se conseguirem [alterar o resultado], haverá consequências terríveis!”.
Neste domingo (7), o partido que governa Honduras, o Libre, da presidente Xiomara Castro, de esquerda, pediu a anulação total do pleito, realizado no dia 30 de novembro, devido a ingerência de Trump.
“Condenamos a ingerência e coação do presidente dos EUA, Donald Trump, nas eleições de Honduras. Condenamos o indulto do narcotraficante Juan Orlando Hernández outorgado pelo presidente Trump no marco do processo eleitoral hondurenho”, diz o comunicado do partido governista.
Em meio à campanha eleitoral hondurenha, o presidente Donald Trump anunciou o indulto ao ex-presidente de Honduras Juan Orlando Hernández, condenado em tribunal de Nova York, em 2024, a 45 anos de prisão por narcotráfico, sendo acusado de facilitar a importação de toneladas de cocaína para os Estados Unidos.
Hernández é do Partido Nacional, a mesma legenda do candidato de Trump, Nasry Tito Asfura. Com 67 anos de idade, Asfura é ex-prefeito de Tegucigalpa, capital do país. O Partido Nacional já elegeu 13 presidentes no país centro-americano.
O partido governista Libre acusa Trump e a “oligarquia aliada” de enviar milhões de mensagens por redes sociais para os hondurenhos dizendo que, aqueles que não votassem no candidato de Trump, não receberiam as remessas enviadas por trabalhadores hondurenhos que vivem nos EUA.
O sistema de contagem de votos em Honduras é feito manualmente por cédulas de papel. Com cerca de 88% das urnas apuradas, o CNE dá 40,2% dos votos para o candidato apoiado por Donald Trump, Nasry Tito Asfura.
Em segundo lugar, está o candidato considerado de centro-direita Salvador Nasralla, do Partido Liberal, com 39,51% dos votos. A diferença entre o primeiro e segundo colocado é de apenas cerca de 19 mil votos.
Em terceiro lugar, vem a candidata governista do partido Libre, Rixi Moncada, com 19,28% dos votos, considerada de esquerda.
Não há segundo turno em Honduras, vencendo aquele que tiver mais votos na primeira e única rodada de votação.
O professor de relações internacionais da Universidade Católica de Brasília (UCB) Gustavo Menon avalia que a ingerência de Trump na eleição hondurenha reflete o reposicionamento dos EUA na América Latina para tentar limitar a influência chinesa na região.
“Os EUA entendem essa região como de sua histórica influência. E o posicionamento de Trump é para conter o avanço chinês na América Central e, mais do que isso, ter candidatos completamente alinhados à sua política externa, aos valores conservadores, que são parte desse projeto da Casa Branca”, explica.
O professor Menon acrescentou que o candidato Asfura, apoiado por Trump, tem uma agenda mais próxima à da atual administração da Casa Branca, principalmente no tema da imigração.
“A ala mais radicalizada do Partido Republicano [dos EUA] tem sinergia com a atuação do Partido Nacional em Honduras, já que, do ponto de vista da atuação do Partido Liberal [do candidato Nasralla], a gente tem iniciativas liberalizantes que podem convergir com interesses chineses”, completou.
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