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Chamados para participar da cúpula do G7 como convidados, o Brasil e o Quênia saíram em defesa das parcerias que países não desenvolvidos firmam com a China, em meio às críticas dos líderes das potências ocidentais contra Pequim.
Um dos documentos do encontro aponta que a economia do gigante asiático estaria “desequilibrando” a economia internacional, prejudicando, além da Europa, os Estados Unidos (EUA).
Em reunião com os presidentes do G7 na França, o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e do Quênia, William Samoei Ruto, defenderam que as parcerias com a China são de interesses dos países latino-americanos e africanos, uma vez que Pequim tem oferecido acordos tidos como vantajosos do ponto de vista econômico.
O presidente Lula afirmou aos líderes do G7 que aquilo que eles veem como uma ameaça, que é a economia chinesa, os países não desenvolvidos veem como uma oportunidade.
Lula argumentou que, atualmente, quem mais faz investimentos na África, e na América Latina são os chineses, enquanto os europeus e os norte-americanos não têm aparecido tanto para competir com Pequim.
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O G7 é o grupo de países considerado mais desenvolvidos do planeta, com França, Reino Unido, Alemanha, Estados Unidos (EUA), Japão, Itália e Canadá. Participaram como convidados no encontro desta semana, além do Brasil e Quênia, os representantes da Índia, Coreia do Sul e Egito.
Por sua vez, o presidente queniano defendeu, frente aos chefes de Estado do G7, que a China era o parceiro que o país tinha, sendo melhor ter Pequim como parceiro do que não ter.
Nos últimos 20 anos, a África tem aproveitado a ascensão econômica da China para perseguir o próprio desenvolvimento econômico, em especial, por meio de parcerias na construção de infraestruturas de transporte, energia e indústrias.
Na América Latina, a China se tornou, ao longo dos últimos anos, o principal parceiro comercial da maioria dos países da região. Nesse cenário, a atual governo dos EUA vem reafirmando que Washington deve afirma a “proeminência” na América Latina frente a crescente influência chinesa.
Em um dos documentos que saiu do G7, o que trata dos desequilíbrios da economia mundial, as potências ocidentais apontam que a China, com superávit de US$ 1,2 trilhão em 2025, e consumo “cronicamente” baixo, estaria prejudicando a balança comercial, tanto dos EUA, quanto da Europa.
“O aumento dos déficits e superávits excessivos em conta corrente reflete uma dinâmica de crescimento cada vez mais desequilibrada na China, na União Europeia (UE) e nos Estados Unidos (EUA)”, diz o texto do G7.
O grupo ainda expressou preocupação “crescente” com “desequilíbrios em setores mais específicos, como terras raras, veículos elétricos e outros” da China. Pequim tem liderado o comércio nesses setores.
O documento do G7 ainda critica a desvalorização do renminbi (RMB), a moeda chinesa, o que estaria favorecendo as exportações chinesas no comércio global.
“A China responde por quase toda a valorização efetiva real do euro desde 2021”, diz o documento, acrescentando que “uma maior flexibilidade na taxa de câmbio do RMB ainda seria desejável”.
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Questionado por jornalistas em relação a críticas do G7 sobre o setor de terras raras e minerais críticos da China, o porta-voz do ministério das relações exteriores do país afirmou que as práticas chinesas estão de acordo com as normas internacionais.
“Exortamos o G7 a observar com seriedade os princípios da economia de mercado e as regras do comércio internacional, e a parar de perturbar a ordem comercial internacional com regras criadas por um pequeno grupo”, afirmou Lin Jian, nesta quinta-feira (18).
Dos nove documentos firmados no G7, o Brasil assinou três, sendo eles: o que abordou medidas de combate ao câncer; o sobre a proteção de crianças e adolescentes nas redes sociais; e de o combate ao narcotráfico, uma vez que o documento não associa o tráfico de drogas com o terrorismo.
O governo brasileiro entende que essa associação pode ser usada como pretexto para intervenções estrangeiras no país.
Os demais documentos não foram assinados pelo Brasil porque os textos produzidos teriam uma “visão de mundo” própria do G7, diferente do que um país não desenvolvido poderia concordar.
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