Entre turnos e tornozelos: vereadora de Dourados acumula 84 horas de trabalho e uma coleção de polêmicas
Denúncia protocolada pelo Prof. Leonardo Pescinelli Martins (Prof. Léo), sob nº. 11 2025.00005434-6, escancara uma rotina digna de ficção científica: a diretora escolar e vereadora Ana Paula Benitez Fernandes se desdobra em 84 horas semanais, contrariando leis, bom senso e o conceito de sono. Tudo isso com um histórico que não ajuda a suavizar os holofotes.
DOURADOS – MS. O relógio pode ter apenas 24 horas, mas para Ana Paula Benitez Fernandes, vereadora e diretora escolar, a conta parece se ajustar com matemática própria, ou com uma dimensão alternativa onde os dias são mais longos e as leis, flexíveis.
A denúncia registrada pelo Professor Leonardo Pescinelli Martins, o Prof. Léo, sob o número 11 2025.00005434-6, aponta que Ana Paula acumula 84 horas semanais de trabalho: 40 horas como diretora da Escola Municipal Prefeito Luiz Antônio Alvares Gonçalves e outras 44 como legisladora municipal. Um feito que impressiona até o mais otimista dos físicos, embora deixe em segundo plano princípios como legalidade, compatibilidade de horário e… vida.
Segundo a legislação municipal e, uma coisa chamada CLT , essa jornada é simplesmente incompatível com a existência humana e com o Estatuto do Servidor Público. A Lei Complementar 118/2007 é clara: nada de ultrapassar o regime integral. Já o artigo 66 da CLT lembra que, entre uma jornada e outra, é preciso respirar por pelo menos 11 horas. Mas na matemática de Ana Paula, o expediente parece ocupar um lugar paralelo à lógica.
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Mas essa não é uma estreia nos bastidores da polêmica.
Quando ocupava o posto de secretária de educação, Ana Paula foi denunciada pelo Ministério Público por falsidade ideológica, indiciada por inserir dados fictícios sobre salas de robótica em escolas municipais e protagonizou um suposto episódio de assédio eleitoral que quase lhe garantiu um afastamento no estilo natalino.
Não bastasse, tentou a reeleição como diretora pela quarta vez , com um plano de gestão rejeitado por “falta de consistência”. Mas foi reeleita mesmo assim. Afinal, coerência é um artigo raro na prateleira da política local.
A denúncia do Prof. Léo pede a apuração imediata das irregularidades e sugere medidas como a cassação do mandato de vereadora e/ou a exoneração do cargo de diretora, reforçando que o servidor público deve responder não só ao relógio, mas à lei.
Se há algo que esta denúncia expõe é que, em Dourados, o impossível não é só uma abstração, pode muito bem ser parte da rotina funcional de quem administra escola de dia e legisla à tarde. Só nos resta saber se o Ministério Público vai acompanhar esse ritmo acelerado ou se, como a física, ele também precisará se adaptar às novas regras do tempo.
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