Por: Josseles José da Silva
13/07/2025
Abertura judicial que ignora o MEC
A UNIFRON obteve autorização judicial para iniciar seu curso de medicina alegando “inércia da União” — expressão usada para indicar que o Ministério da Educação (MEC) demorou demais para avaliar o pedido de credenciamento. A Justiça acatou essa argumentação e concedeu liminar à instituição, permitindo que ela começasse a operar sem que as avaliações obrigatórias fossem concluídas.
Entre os procedimentos ignorados estão:
I. A análise da estrutura física da universidade
II. A verificação do corpo docente (titulação e experiência)
III. A validação do projeto pedagógico e currículo do curso
Embora exista jurisprudência permitindo esse tipo de liminar, a decisão é provisória e não substitui o parecer técnico do MEC. Essa brecha jurídica, na visão do denunciante, o Professor Leonardo Pescinelli Martins (Prof. Léo), supostamente foi usada como atalho por quem está próximo das engrenagens do poder: um dos nomes ligados à UNIFRON é o ex-ministro da Educação (Henrique Sartori), o que levanta suspeitas sobre favorecimento e uso de influência para furar a fila regulatória.
E se o MEC disser não?
O curso autorizado judicialmente continua em funcionamento sem garantia de permanência. Caso o MEC negue a autorização final, as consequências são imediatas:
1. A UNIFRON deverá encerrar o curso de medicina de forma imediata
2. Os estudantes matriculados não terão direito ao diploma
3. Os créditos obtidos podem não ser reconhecidos por outras instituições
4. Não há suporte para transferência assistida ou ressarcimento financeiro
“A medicina exige rigor técnico e ético. Não se pode abrir um curso com base em atalhos judiciais e conexões políticas, se esse, de fato, for o caso”, alerta o professor.
Medicina com orçamento de R$ 100 mil?
O capital social declarado da UNIFRON, conforme consulta ao CNPJ, é de apenas R$ 100.000,00. Para o professor Léo, tal valor é incompatível com a operação de um curso médico, que requer milhões em investimentos para garantir laboratórios, hospitais conveniados, corpo docente especializado e materiais de alta complexidade.
“É como tentar construir um hospital com o orçamento de uma padaria”, ironiza.
Convênios e terreno público: um rolo institucional
A denúncia aponta ainda que a UNIFRON supostamente ocupa uma área pública sem autorização formal, o que motivou notificações da Prefeitura de Dourados exigindo a desocupação. Além disso, há registros de convênios firmados com a gestão anterior, comandada pelo ex-prefeito Alan Guedes, antes do credenciamento oficial da universidade.
Vereadores locais, como Isa Marcondes, denunciaram o uso indevido do terreno, questionando como uma instituição que “não existia formalmente” já operava em espaço público e estabelecia parcerias com o poder municipal.
O que pede a denúncia ao MPMS?
O documento entregue ao Ministério Público solicita:
a) Investigação do processo de credenciamento da UNIFRON
b) Análise da legalidade da autorização judicial
c) Verificação da ocupação do espaço público
d) Apuração da relação entre gestores públicos e a universidade
e) Avaliação da compatibilidade entre capital social e operação do curso
f) Medidas cautelares que possam suspender as atividades, se comprovadas irregularidades
Um alerta à sociedade e aos futuros estudantes
A denúncia é mais do que uma formalidade jurídica — é uma tentativa de impedir que a formação médica se transforme em negócio oportunista de baixo custo e alto risco. A precarização do ensino médico, somada ao uso indevido de influência política e judicial, pode gerar não apenas prejuízos financeiros, mas também uma tragédia sanitária futura.
“Formar médicos exige compromisso com a vida, não supostos atalhos administrativos e capital simbólico. O que está em jogo aqui não é apenas um curso, mas a saúde pública e a dignidade da formação médica”, conclui o Professor.
O jornal acompanhará o andamento da denúncia, atualizando, sempre que possível, as informações para os leitores.
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